Metodologia
Este documento é a fonte do conteúdo publicado na página /metodologia do portal. Ele declara de onde vêm os números, como são calculados, o que é suprimido e o que o dado público não consegue dizer.
Status: esqueleto. As seções são preenchidas conforme as tarefas correspondentes do PLANO_IMPLEMENTACAO.md forem concluídas. A publicação é a tarefa F2.24.
O requisito é o FR-012 do PRD. A especificação completa está na seção 8 do DESCRITIVO_TECNICO.md, tela T11.
1. Fontes
Preenchido por: F1.3 a F1.6 e F1.18.
Lista das fontes com data da última atualização de cada uma. Todas são públicas, gratuitas e anônimas. O inventário verificado está na seção 1 do EXTRACAO_DADOS.md.
2. Reconstrução do estoque
Preenchido por: F1.20 e F1.23.
O CAGED entrega fluxo, não estoque. O estoque é reconstruído a partir da RAIS mais o saldo acumulado.
A data de referência do estoque base aparece em toda tela que exibe uma taxa, porque o denominador é estimativa, não medição.
3. Indicadores
Preenchido por: F1.24 a F1.30.
As 30 fórmulas do catálogo, organizadas em seis famílias, conforme a seção 7 do DESCRITIVO_TECNICO.md.
Regra de exibição obrigatória: sempre que a taxa de rotatividade aparecer, a taxa descontada precisa estar na mesma tela.
4. Janelas temporais
Preenchido por: F1.30.
A janela móvel de 12 meses é o padrão do produto. Indicadores anualizados nunca são obtidos multiplicando o mês por 12.
As três janelas, e o que cada uma responde
| Janela | O que é | Para que serve |
|---|---|---|
| Mensal | um mês fechado | ver o que aconteceu no mês |
| Móvel de 12 meses | os doze meses até o mês exibido, e ela anda todo mês | comparar recortes sem que a sazonalidade atrapalhe |
| Ano fechado | de janeiro a dezembro de um ano civil | fechar o ano, e comparar com o ano anterior |
A móvel e a de ano fechado não são a mesma coisa, mesmo quando as duas têm doze meses: a primeira anda a cada mês e a segunda é sempre o mesmo recorte. Comparar uma com a outra compara períodos que não coincidem.
Por que não multiplicamos o mês por 12
Porque o varejo é sazonal, e o erro que isso produz foi medido.
Nos doze meses reais de desligamento do varejo em 2025, estado por estado, multiplicar um único mês por doze erraria, em média, 5,3%, e no pior caso 41,9%.
O pior caso é a Paraíba em junho: 5.655 desligamentos no mês, que multiplicados por doze dariam 67.860 contra os 47.834 do ano inteiro. Superestimaria em quase metade.
E os três piores casos são todos em junho, no Nordeste: Paraíba com 41,9%, Pernambuco com 38,0% e Alagoas com 33,9%. Junho é um mês atípico nesses estados, e é justamente a primeira competência que o portal publica.
A janela de doze meses existe exatamente para que essa distorção não chegue à tela.
A conta é feita sobre as partes, nunca sobre o resultado
Esta é a regra que sustenta as outras, e ela vale a pena entender.
Para saber a rotatividade de doze meses, o portal não soma doze taxas de rotatividade. Ele soma as admissões dos doze meses, soma os desligamentos dos doze meses, calcula o estoque médio do período, e só então divide, uma vez só.
Somar doze taxas dá um número de aparência correta e valor errado, porque cada taxa mensal tem um denominador diferente. E o estoque não se soma: ele é uma posição, não um fluxo, e somar doze meses de estoque contaria a mesma pessoa doze vezes.
Pela mesma razão, a média salarial de doze meses sai da soma dos salários sobre a soma das pessoas, e não da média das médias. E a mediana de doze meses não é obtenível a partir das medianas mensais de jeito nenhum: ela exige a distribuição inteira.
O que tem janela e o que não tem
| Rotatividade, admissões, desligamentos, salário, concentração, perfil | têm janela mensal, móvel e de ano fechado |
| Tempo de vínculo, desligamento precoce, número de estabelecimentos | não têm. São de um ano fechado da RAIS, e uma janela móvel sobre eles repetiria o mesmo ano-base doze vezes |
| Taxa de desocupação | não tem esta janela. É trimestral, e a janela dela seria de quatro trimestres |
Toda janela vem rotulada, e isso não é enfeite
Dois números com a mesma unidade e janelas diferentes são visualmente idênticos. Uma rotatividade de 1,4% no mês e uma de 1,4% em doze meses têm exatamente a mesma aparência e significados muito distantes.
Por isso todo número exibido carrega a janela que o produziu, e nenhuma tela mostra dois períodos diferentes sem dizer quais são.
5. Supressão e sigilo estatístico
Preenchido por: F1.32. As partes de supressão secundária e de cruzamentos ficam para F1.33 e F1.34.
Atenção: os valores desta seção ainda não foram confirmados. Eles são a recomendação técnica da engenharia e estão em uso provisório. Quando a decisão for tomada, esta seção passa a trazer os valores oficiais e a data em que passaram a valer.
Por que um recorte que você quer ver não aparece
Você vai encontrar telas em que o número simplesmente não está lá, com uma marca de "não podemos detalhar". Isso não é falta de dado: o dado existe e está contado no total. É proteção, e ela é obrigatória.
O motivo é simples de enxergar com um exemplo. Imagine uma cidade pequena com uma única farmácia. Se o portal mostrasse "farmácias desta cidade: 1 desligamento em junho", qualquer pessoa da cidade saberia de quem se trata. Não há nome na tela, e não precisa haver: a combinação de cidade, ramo e mês já é o nome.
O mesmo vale para a empresa. Se um único empregador responde por quase toda a movimentação de um ramo numa cidade, publicar o número daquele ramo é publicar o número daquela empresa.
As quatro regras
Uma célula é qualquer cruzamento que o portal mostre: uma cidade e um ramo, um estado e um cargo, um estado e um perfil. Ela só aparece se passar nas quatro:
| Regra | O que exige | Do que protege |
|---|---|---|
| Pessoas empregadas | pelo menos 30 vínculos na célula | de a taxa ser calculada sobre um punhado de gente, onde uma saída vira percentual enorme |
| Empregadores | pelo menos 5 estabelecimentos na cidade e no ramo | de o número do ramo ser o número de uma empresa |
| Concentração | que nenhum empregador domine a célula | do mesmo risco, quando há poucos empregadores e um deles é grande |
| Movimentações | pelo menos 30 movimentações na própria célula | de identificar uma pessoa |
A quarta é a que mais suprime, e é a que menos parece necessária à primeira vista. As três primeiras olham para o tamanho do mercado; ela olha para quantas pessoas de fato entraram ou saíram. Uma célula pode ter mil empregados e cinco empregadores e ainda assim registrar uma única saída no mês, e essa saída é uma pessoa.
Medido em junho de 2026, no cruzamento de cidade e ramo: das quatro regras, a de pessoas empregadas não suprime nenhuma célula sozinha, e a de movimentações suprime 13.215 que passariam por todas as outras.
O que "não podemos detalhar" quer dizer, e o que não quer
A movimentação suprimida continua contada no total. Ela não some: ela deixa de ser detalhada.
Isso é o oposto de dado faltando. Se o portal simplesmente removesse as células pequenas, o total do setor ficaria menor que o verdadeiro e ninguém saberia por quê. Somando o que o portal publica no detalhe com o que ele marca como não detalhável, chega-se exatamente ao total do setor.
Toda tela que tem célula suprimida mostra, no rodapé, quantas foram.
Antes de publicar, tentamos quebrar o próprio portal
A cada publicação, uma varredura automática assume o papel de quem quer descobrir o que está escondido. Ela consulta pelos mesmos caminhos que qualquer visitante tem e tenta recuperar, por conta, os números que a proteção tirou da tela: subtrai totais, cruza recortes, inverte indicadores.
Se ela conseguir recuperar um número que fosse, a publicação não acontece. Não é aviso nem relatório: o dado simplesmente não vai ao ar. E se a própria varredura não conseguir rodar, o resultado é o mesmo, porque "não consegui procurar" não é "não encontrei".
A varredura roda sozinha e pode tirar um número do ar a qualquer momento. Pôr no ar, não: isso exige uma pessoa executando um comando e confirmando o que viu no relatório de mudanças. A assimetria é de propósito, porque tirar do ar é sempre seguro e publicar não é.
Isso já mudou o portal. Na primeira vez que a varredura rodou sobre dados reais, ela recuperou treze saldos de cidade que a proteção havia escondido, de uma a três pessoas cada. Ela conseguiu porque o total do estado é a soma das cidades dele: com todas as cidades visíveis menos uma, a subtração devolve a que faltava. A regra foi corrigida antes de qualquer publicação.
Alguns números podem ser recalculados a partir dos publicados, e isso é declarado
O portal mostra, para cada recorte, taxas de admissão e de desligamento e o saldo em pessoas. Quem souber álgebra consegue, a partir desses três, chegar ao número de admissões, ao de desligamentos e ao total de empregados daquele recorte.
Isso é possível de propósito? Não. É uma consequência de publicar os três juntos, e preferimos declará-la a fingir que não existe.
O que isso muda na prática: as regras de proteção tratam cada recorte publicado como se a contagem dele fosse pública, porque ela é. Um recorte só aparece se sobreviver a essa hipótese. A varredura refaz essa conta em cada recorte publicado, a cada publicação, e barra o que não sobreviver.
O número da célula suprimida não existe na base que o portal lê
Esconder um número na hora de mostrar é uma promessa. Não ter o número é um fato.
O portal lê tabelas em que a célula suprimida está com o campo vazio. Não é um valor guardado atrás de um filtro: é ausência de valor. Se alguém escrever uma consulta nova e esquecer o filtro, ela não devolve o número escondido, porque não há número ali para devolver. O banco chega a recusar a gravação de um valor numa linha marcada como suprimida.
O valor real continua existindo num lugar separado, que serve para conferência interna e para recalcular séries, e ao qual o portal não tem acesso nenhum.
Por que isso é dito aqui: porque a diferença entre "escondido" e "inexistente" é a diferença entre uma proteção que depende de todo mundo lembrar e uma que não depende de ninguém.
Por que a regra de concentração é aproximada, e dizemos isso
Os microdados públicos do CAGED não identificam estabelecimento. Não existe CNPJ, nem código de empresa, nem nada que permita contar empregadores distintos numa célula ou medir quanto o maior deles representa.
A contagem de empregadores vem de outra fonte, a RAIS, que tem data-base anual. E a dominância, que idealmente mediria a participação do maior estabelecimento, é aproximada pela concentração de porte: quando há poucos empregadores e a movimentação está concentrada numa única faixa de tamanho, o portal trata a célula como possivelmente dominada.
É aproximação, e está declarada aqui porque preferimos uma regra explicada a uma regra exata que não existe.
Às vezes o portal esconde um recorte que passaria nas regras
Isso acontece de propósito, e o motivo é aritmética.
Imagine um município com três ramos. Dois aparecem com seus números, o terceiro está escondido, e o total do município aparece. Qualquer pessoa subtrai os dois visíveis do total e recupera o escondido. A célula estava marcada como não detalhável, e o número saiu mesmo assim.
Por isso, sempre que um agrupamento fica com um único recorte escondido, o portal esconde um segundo. Ele escolhe o de menor volume, para perder o mínimo de informação. Com dois escondidos, a subtração devolve a soma dos dois, e não cada um.
Em junho de 2026, sem essa segunda camada, 12.061 recortes escondidos seriam recuperáveis com uma calculadora. Com ela, nenhum é.
Há um caso em que não existe segundo recorte para esconder: um município com um único ramo. Aí o total do município é o próprio recorte, e o que sai do ar é o total.
A mesma regra vale dentro da célula, e não só entre células
O quadro de motivos de saída quebra os desligamentos de uma célula em categorias: pedido de demissão, dispensa, fim de contrato, aposentadoria e assim por diante.
O limiar protege a célula, e não cada linha dentro dela. Uma célula com 300 saídas passa em todas as regras e ainda assim mostraria "aposentadoria: 1". Essa uma pessoa é tão identificável quanto a de uma célula pequena.
Por isso cada categoria passa pelas mesmas duas camadas: some se for pequena, e some uma segunda se ficar sozinha.
O efeito é grande e está declarado: em junho de 2026, no cruzamento de cidade e ramo, das 15.355 categorias de células publicadas, 13.846 não podem ser detalhadas. Sobram 1.509.
Isso quer dizer que o quadro de motivos não funciona no recorte de cidade com ramo. Ele funciona em recortes maiores, de estado para cima, onde cada categoria reúne gente suficiente. Preferimos dizer isso a mostrar um quadro quase todo vazio e deixar a impressão de que faltou dado.
Por que algumas combinações de filtros não existem
O portal deixa você cruzar as informações, mas não todas ao mesmo tempo. Há combinações que simplesmente não aparecem nos seletores, e o motivo é o mesmo das regras acima.
| Quantas informações você cruza | O que acontece |
|---|---|
| Até duas | Livre, qualquer combinação, inclusive por cidade |
| Três, com o mapa em estado ou mais amplo | Livre |
| Quatro | Existe, com aviso |
| Cidade com mais de uma outra informação | Não existe |
| Cinco ou mais | Não existe |
A regra da cidade é a mais dura, e é a mais importante. É a cidade que estreita o grupo até ele virar uma pessoa. Cidade cruzada com ramo funciona: são milhares de lojas em cada uma. Cidade cruzada com ramo E cargo já divide esse grupo em pedaços de duas ou três pessoas, e nesse tamanho a proteção teria de suprimir quase tudo: a cobertura cai de 98% para 81%.
Então, em vez de oferecer o cruzamento e devolver uma tela quase toda vazia, o portal não oferece. Quando você pede uma combinação que não existe, ele sugere a mais próxima que existe.
Isso não é limitação da tela: a combinação bloqueada não é calculada nem guardada. Não há como ela vazar por engano.
O aviso de recorte detalhado, e por que ele não é o mesmo aviso de sempre
Nos cruzamentos de quatro informações você vai ver este aviso:
Este é o recorte mais detalhado do portal. Neste nível de detalhe boa parte dos cruzamentos tem pouca gente. Cerca de metade das combinações não aparece por proteção de sigilo, e as que aparecem descrevem grupos pequenos: uma variação de um mês para o outro pode ser mudança real ou só o movimento de poucas pessoas. Para comparar com segurança, tire uma dimensão.
Ele é diferente do aviso de célula suprimida, e a diferença importa:
| Aviso | Do que ele fala |
|---|---|
| Célula suprimida | do que não está na tela, e por quê |
| Recorte detalhado | da confiança no que está na tela |
O segundo não é um pedido de desculpas: é a informação de que, nesse nível, o número existe e é verdadeiro, mas descreve poucas pessoas, e por isso oscila. Quem for tomar decisão em cima dele deve tirar uma dimensão e ganhar estabilidade.
O que aumenta a cobertura sem afrouxar a proteção
A janela padrão do portal é a de doze meses, e isso não é preferência de apresentação: é o que torna o produto viável. A mesma célula que tem 8 movimentações num mês tem 96 em doze, e passa nas regras sem que nenhum limiar seja reduzido.
Por isso os recortes mensais têm muito mais células suprimidas que os de doze meses, e por isso o mensal aparece como recorte secundário, com aviso.
Os indicadores que o portal publica hoje, e o que cada um é
Conferido contra as fórmulas de pipeline/metrics/ em 29/08/2026. A é admissões, D é desligamentos e E é o quadro médio no período.
| Código | Nome | Conta | Unidade |
|---|---|---|---|
| I1 | Taxa de rotatividade | min(A, D) / E |
% |
| I2 | Rotatividade descontada | igual a I1, sem as saídas que a empresa não decide | % |
| I3 | Taxa de desligamento | D / E |
% |
| I4 | Taxa de admissão | A / E |
% |
| I5 | Movimentação total | (A + D) / E |
% |
| I6 | Saldo de empregos | A − D |
pessoas |
| I7 | Variação do estoque | (A − D) / estoque no início |
% |
| I12 | Salário médio de admissão | média de quem entrou | R$ |
| I13 | Salário médio de desligamento | média de quem saiu | R$ |
| I14 | Diferença entre entrada e saída | quanto o salário de admissão está acima ou abaixo do de desligamento | % |
Os dez existem para os 27 estados. O catálogo tem outros onze (I9 a I11, I17 a I24), e a apuração mensal ainda não os calcula: eles saem nulos em todo recorte publicado, e por isso nenhuma tela os mostra.
Até 29/08/2026 três destes nomes estavam trocados na interface, deslocados em uma posição: I5 aparecia como "saldo de empregos, em pessoas" sendo uma taxa, I6 aparecia como "variação do estoque, em %" sendo uma contagem de pessoas, e I7 aparecia como "giro do quadro, em vezes". Mato Grosso chegou a aparecer com 731,0% de variação do estoque, quando são 731 pessoas de saldo. Há teste que executa as fórmulas e confere a unidade declarada na interface contra o resultado.
Por tamanho de loja não existe taxa, e o motivo não é proteção
O Novo CAGED informa o porte do estabelecimento em toda movimentação, e por isso dá para dizer quanto do movimento aconteceu em loja pequena, média ou grande, qual foi o saldo de empregos em cada tamanho e quanto se paga na entrada e na saída.
O que não dá é calcular a taxa de rotatividade por tamanho. A taxa divide pelo quadro de pessoal, e nenhuma tabela de estoque tem porte: a RAIS informa o quadro por município, atividade e ocupação, nunca por faixa de tamanho. Sem denominador, não há divisão.
Então nas telas por tamanho de loja os percentuais de rotatividade aparecem vazios. Isso não é supressão, é ausência de denominador, e a diferença importa: supressão esconde um número que existe; aqui o número não existe.
Uma estimativa seria possível, multiplicando a quantidade de estabelecimentos da faixa pelo ponto médio dela. O portal não faz isso: número estimado apresentado ao lado de número medido, na mesma tabela, sem que ninguém consiga distinguir, é pior que coluna vazia.
Vale lembrar o que o porte é, e está entre as três ressalvas fixas da capa: ele é da loja, não da rede. Uma loja de uma rede com quatrocentas lojas entra pelo tamanho daquela loja.
Por que dois lugares do portal contam células diferentes
O portal avalia a supressão em três níveis de geografia, e os três descrevem as mesmas pessoas em agregações diferentes:
| Nível | O que é | Células em 06/2026 |
|---|---|---|
municipio_segmento |
a cidade cruzada com o ramo | 22.714 |
uf_segmento |
o estado cruzado com o ramo | 189 |
uf |
o estado inteiro, sem cruzamento | 27 |
Somar movimentação entre níveis conta cada pessoa mais de uma vez. Por isso pub.supressao_resumo agrupa por nível, e cada consumidor diz de qual ele fala:
- A capa conta o nível de cidade cruzada com ramo, que é a unidade que ela desenha: 3.434 de 22.714 células, cobrindo 84,4% da movimentação.
- O boletim conta todas as células publicadas, em todos os recortes, e a frase dele diz isso.
Os dois números são corretos e descrevem universos diferentes. Antes de 27/08/2026 a capa somava os três níveis e anunciava uma cobertura de 94,8%. Aquele número só existia porque a mesma pessoa entrava três vezes na conta.
5.1 O que a rotatividade descontada tira, e o que ela não tira
O observatório publica dois números de rotatividade lado a lado, e a diferença entre eles costuma gerar dúvida. Esta seção explica o que separa um do outro.
A ideia
A rotatividade conta todas as saídas. A rotatividade descontada tira as saídas que a empresa não tem como evitar.
Quem se aposenta, quem falece, quem chega ao fim de um contrato com prazo combinado desde o início: nenhuma dessas saídas diz algo sobre a capacidade da empresa de reter gente. Somá-las com demissões e pedidos de demissão mistura coisas de naturezas diferentes.
O que é retirado
| Retirado | Por quê |
|---|---|
| Aposentadoria | Fim natural da vida profissional |
| Falecimento | |
| Término de contrato com prazo combinado | O fim estava previsto desde a assinatura |
| Transferência entre unidades da mesma empresa | A pessoa não saiu da empresa, mudou de endereço |
A transferência é retirada dos dois lados: ela não conta como saída em uma unidade nem como entrada em outra. Contar só de um lado inflaria o número.
Uma observação honesta sobre transferências
Nos dados que o observatório processa hoje, as transferências não aparecem. Os códigos existem na classificação oficial, mas as empresas não os têm utilizado ao declarar essas movimentações no sistema do governo.
Na prática, isso significa que a diferença entre os dois números de rotatividade vem quase toda de término de contrato, que é o item de maior peso, e não de transferências.
Registramos isso porque a alternativa seria deixar você supor que uma parte da diferença vem de movimentação interna, quando não vem. Se as empresas voltarem a declarar transferências, o cálculo já está preparado para tratá-las, e esta observação será atualizada.
O que a rotatividade descontada NÃO tira
Ela continua contando:
- Demissão sem justa causa
- Pedido de demissão
- Demissão por justa causa
- Acordo entre as partes
Todas essas são decisões tomadas durante a relação de trabalho, por uma das duas partes. São exatamente o que o indicador quer medir.
Qual dos dois usar
Depende da pergunta.
Para comparar o seu volume total de movimentação com o do mercado, use a rotatividade. Para avaliar retenção, use a descontada: ela isola o que está sob influência da gestão.
Por isso os dois aparecem sempre juntos. Publicar só o primeiro faria o problema parecer maior do que é; publicar só o segundo esconderia o custo real da reposição de pessoas.
5.2 Como ler o corte por porte de loja
O observatório permite comparar a rotatividade por tamanho de estabelecimento. Duas coisas precisam ficar claras antes de usar esse corte, porque as duas mudam a interpretação.
O porte é da loja, não da rede
O tamanho considerado é o de cada estabelecimento, não o da empresa.
Uma rede com 50 lojas de 30 funcionários cada aparece como 50 estabelecimentos de porte médio. Ela nunca aparece como uma empresa de 1.500 pessoas.
Use este corte para comparar suas lojas com lojas de tamanho parecido. Ele não serve para comparar redes inteiras entre si, e essa distinção importa: a dinâmica de uma loja de 30 pessoas é parecida esteja ela sozinha ou dentro de uma rede grande.
O porte é o do início do ano
O tamanho registrado é o do estabelecimento em janeiro, não no mês da movimentação.
Isso tem duas consequências práticas:
- Uma loja que cresceu ou encolheu ao longo do ano aparece com o tamanho que tinha em janeiro. Em dezembro, o número já pode estar defasado em onze meses
- Um estabelecimento aberto durante o ano aparece como "sem empregados em janeiro", porque em janeiro ele ainda não existia
Por que "sem empregados em janeiro" é uma categoria separada
Seria tentador juntar esse grupo com as lojas pequenas. Não juntamos, e o motivo aparece no próprio dado.
Em junho de 2026, no varejo:
| Grupo | Contratações para cada desligamento |
|---|---|
| Sem empregados em janeiro | 2,33 |
| Loja pequena, de 1 a 9 | 0,93 |
| Loja média, de 10 a 49 | 0,96 |
| Loja grande, de 50 a 249 | 1,00 |
| Operação de grande porte | 0,99 |
Todas as faixas reais ficam perto do equilíbrio. O grupo "sem empregados em janeiro" contrata mais que o dobro do que desliga, porque são operações em formação, não lojas pequenas.
Misturar os dois faria a taxa do grupo "loja pequena" descrever duas realidades ao mesmo tempo, sem descrever nenhuma direito. São 8,3% das movimentações do varejo.
Cobertura
Nas competências verificadas, de 2020 a 2026, todas as movimentações têm porte informado. Os códigos de "não informado" existem na classificação oficial, mas não foram usados. Se passarem a ser, aparecerão como categoria própria, nunca somados a uma faixa de tamanho.
6. Saneamento
Preenchido por: F1.16.
Tratamento de salário zero, valores extremos, códigos de município e registros rejeitados.
6.0 Como o salário médio é calculado
Preenchido por: F1.16 e F1.26. Régua aprovada em 26/08/2026.
O salário médio que este portal publica não é a média simples do que foi declarado. Três regras entram antes da conta, e elas estão aqui para você poder refazê-la.
As três regras
| Regra | O que ela faz | Por quê |
|---|---|---|
| Salário zero sai | Declaração com valor zero não entra na média | Zero não é um salário baixo, é a ausência de informação |
| Abaixo de 40% do mínimo sai | Valor muito abaixo do piso legal não entra | É erro de digitação com muito mais frequência do que é jornada parcial |
| A cauda alta é limitada no percentil 99 | Quem ganha acima do teto continua contando, com o valor do teto | Meia dúzia de salários de diretoria puxa a média de um setor inteiro |
Limitar não é remover. A pessoa que ganha R$ 40 mil continua na conta; o que entra é o valor do teto no lugar do dela. Isso preserva o tamanho da população, que é o que a maioria dos indicadores usa.
O número de junho de 2026, para você conferir
| Passo | Média |
|---|---|
| O que foi declarado, sem regra nenhuma | R$ 2.046,36 |
| Tirando o salário zero | R$ 2.091,59 |
| Tirando também o que está abaixo de 40% do mínimo | R$ 2.096,10 |
| Limitando a cauda alta no percentil 99, que é o publicado | R$ 1.985,02 |
Repare que as duas primeiras regras sobem a média, e só a terceira a baixa. É esperado: tirar valores muito baixos sobe, e limitar valores muito altos desce.
O teto é o do recorte que está sendo medido
Essa frase tem uma consequência que precisa estar escrita, porque ela aparece no indicador de diferença salarial na reposição.
Quando o portal compara o salário de quem entra com o de quem sai, ele compara duas médias limitadas em pontos diferentes, porque as duas distribuições são diferentes. No varejo de junho de 2026 os tetos foram R$ 4.950,00 nas admissões e R$ 5.400,00 nos desligamentos.
Foi medido o quanto essa escolha muda o indicador:
| Como a cauda alta é limitada | Diferença na reposição |
|---|---|
| Cada ponta no seu próprio percentil 99, que é o publicado | menos 2,71% |
| As duas num teto comum de R$ 5.066,83 | menos 2,48% |
| Sem limite nenhum | menos 2,82% |
A escolha move o número em um terço de ponto percentual e nunca muda o sinal. A leitura, "quem entra ganha menos do que quem saiu ganhava", vale nos três casos.
Um número deste portal mudou, e a explicação está aqui
Documentos anteriores do projeto citavam R$ 2.010,60 como salário médio de admissão e R$ 1.884,75 como mediana. Este portal publica R$ 1.985,02.
A diferença não é correção de erro de conta: é a diferença entre um número e o método que o produz. Ao refazer a conta com as regras publicadas acima, chega-se a R$ 1.985,02, e não ao número antigo. Nenhuma combinação das três regras produz R$ 2.010,60.
Preferimos o número que as regras produzem. Um portal que publica o método e um número que não sai dele não é conferível, e ser conferível é a razão de esta página existir.
Todos os outros números daqueles documentos foram refeitos e reproduzem exatamente: as linhas do arquivo, as linhas de varejo, as admissões, os desligamentos, a média bruta, o maior salário declarado, o percentil 99 e as contagens de rejeito.
6.1 Por que aparecem cargos marcados como desativados
Ao consultar os cargos do seu segmento, você vai encontrar nomes com uma observação parecida com esta:
Faxineiro (desativado em 2010)
Isso não é erro do site. É uma característica do dado oficial, e vale entender por quê.
O que aconteceu
A classificação oficial de ocupações do governo, a CBO, é revisada de tempos em tempos. Quando uma revisão acontece, alguns códigos de ocupação são aposentados: o governo deixa de recomendá-los para novos registros.
Só que as empresas continuam usando esses códigos ao declarar admissões e desligamentos, e o sistema do governo continua aceitando. Um código aposentado em 2010 segue recebendo registros em 2026.
O tamanho disso
Não é detalhe. Em junho de 2026, no Brasil inteiro:
| Ocupações formalmente desativadas | 71 |
| Delas, ainda recebendo registros | 4 |
| Participação nas movimentações do país | 5,3% |
No varejo, o código "Faxineiro", aposentado em 2010, sozinho responde por 2,3% de todas as movimentações do setor.
Por que mantemos, em vez de esconder
Havia duas escolhas possíveis, e nenhuma delas é neutra.
Esconder significaria descartar essas movimentações. O total do varejo encolheria mais de dois por cento, e o do país mais de cinco. Um número menor do que a realidade, sem nenhum aviso de que algo foi retirado.
Manter e sinalizar é o que fazemos. O cargo aparece, com a observação de quando saiu da classificação oficial, e você decide o que fazer com essa informação.
A escolha segue o princípio do observatório: preferimos um número completo com explicação a um número limpo com omissão.
O que isso significa na prática para você
- Os totais do seu segmento incluem esses registros, então batem com o que o governo publica
- Se você comparar a sua rede com o mercado, os dois lados estão na mesma base
- Ao montar uma apresentação, a observação entre parênteses pode ser retirada sem prejuízo. Ela existe para explicar, não para poluir
- Se um cargo importante da sua operação aparecer com essa marca, isso costuma indicar que o código usado nas suas declarações também é o antigo, o que vale conferir com quem faz o eSocial da empresa
Uma observação sobre nomes estranhos
A classificação oficial tem quase três mil ocupações, com nomes técnicos que nem sempre correspondem ao que se usa no dia a dia do varejo. Por isso o observatório traduz os códigos para os nomes que o setor reconhece, como "vendedor de loja" ou "operador de caixa".
Essa tradução é publicada e pode ser conferida. Nenhuma ocupação é descartada nela: o que não se encaixa em um cargo conhecido aparece agrupado como "outras ocupações", e continua somando no total.
6.2 Como ler os números de perfil
Preenchido por: F1.27.
O portal mostra a composição de quem foi admitido e desligado: participação feminina, participação de jovens, escolaridade, aprendizes, jornada parcial e idade média. Três coisas precisam estar claras antes de alguém usar esses números.
É a foto de quem SE MOVIMENTOU, não de quem trabalha no setor
Esta é a confusão mais fácil de cometer, e ela muda a conclusão.
Os números descrevem as pessoas que entraram ou saíram no mês. Quem gira mais aparece mais nessa conta do que aparece no quadro de funcionários. Se as mulheres têm rotatividade maior que a dos homens, elas serão mais de 54% da movimentação mesmo sendo menos de 54% de quem está empregado.
É medida de fluxo, não de foto. Quem quiser a composição de quem trabalha no setor precisa de outra fonte, e ela é anual: a RAIS.
Estes números não aparecem em tela filtrada por eles mesmos
Participação feminina só diz alguma coisa quando o sexo não é um dos filtros da tela. Numa tela já filtrada por "mulheres", a participação feminina seria 100%, o que não é medida de nada.
Vale igual para as outras: participação de jovens não aparece numa tela filtrada por faixa etária, e escolaridade não aparece numa tela filtrada por escolaridade.
Por isso o perfil aparece nas telas de cidade e ramo, e não nas telas que já cortam por sexo ou idade.
Nenhum destes números é nota
"Participação feminina de 54%" não é meta, não é diagnóstico e não é avaliação. É descrição.
A pergunta que esta família responde, e que o RH faz sempre sem conseguir responder com dado, é uma comparação: o perfil de quem eu contrato é o mesmo do mercado? Fora dessa comparação, o número sozinho diz pouco.
As faixas de escolaridade, e um código que engana
A classificação oficial tem treze códigos de grau de instrução, e dois deles não seguem a ordem numérica:
| Código | O que é |
|---|---|
| 80 | Pós-Graduação completa. Vem depois de superior completo e antes de mestrado, apesar do número alto |
| 99 | Não Identificado. Não é escolaridade, é a ausência dela |
O portal agrupa os treze em cinco faixas, mais a não identificada:
| Faixa | Códigos |
|---|---|
| Até fundamental incompleto | 1 a 4 |
| Fundamental completo | 5 |
| Médio incompleto | 6 |
| Médio completo | 7 e 8 |
| Superior completo ou mais | 9, 80, 10 e 11 |
Quem concluiu o superior concluiu o médio, então o indicador "com ensino médio completo" inclui todas as faixas a partir de "médio completo". Medido no varejo em junho de 2026: 82,9%.
Uma pessoa sem idade declarada continua contando
Em 0,03% dos registros a idade vem em branco. A decisão do portal:
| Nas participações | entra no total. A movimentação aconteceu, e tirá-la faria o total desta tela deixar de bater com o do mapa |
| Na idade média | fica fora. Não existe média de um valor que não existe |
Parece contraditório e não é: participação pergunta "quantos" e média pergunta "de quanto". A primeira sobrevive ao desconhecido, a segunda não. É a mesma regra que vale para o salário zero.
6.3 Números anuais e números mensais, e por que eles não se comparam
Preenchido por: F1.28.
O portal mostra dois tipos de número que parecem iguais e não são.
| De onde vem | Fala de | Atualiza | |
|---|---|---|---|
| Rotatividade, admissões, desligamentos, concentração | Novo CAGED | um mês fechado | todo mês |
| Tempo de vínculo, desligamento precoce, número de estabelecimentos | RAIS | 31 de dezembro de um ano fechado | uma vez por ano |
| Estoque de vínculos | os dois | um mês, sobre uma base anual | todo mês, e a base uma vez por ano |
"Tempo médio de vínculo: 15,9 meses" ao lado de "rotatividade em junho: 3,4%" convida a uma conta que mistura um ano fechado com um mês. O portal não coloca os dois no mesmo gráfico, e cada bloco carrega o próprio rótulo de período. Isso não é preferência de layout: é regra do sistema, e o código recusa montar um gráfico misto.
O desligamento tem mês, não tem dia
A RAIS publica o mês em que o desligamento aconteceu, nunca a data. Duas consequências:
- O recorte mais fino possível para o desligamento precoce é o mês. Não existe esse número para uma quinzena, uma semana ou um intervalo entre datas
- Ele é sempre de um ano-base fechado, e não tem versão "últimos doze meses"
É limite da fonte oficial, não do portal.
Tempo de vínculo é de quem SAIU, não de quem está
O tempo médio de vínculo publicado é o de quem foi desligado no ano. Não é o de quem continua empregado, e a diferença é grande. Medido no varejo em 2025:
| Quem foi desligado no ano | 15,9 meses |
| Quem continuou empregado em 31/12 | 39,0 meses |
E a média sozinha engana: a mediana é de 6,4 meses, menos da metade da média. Metade de quem sai do varejo sai antes de sete meses de casa. Por isso as duas aparecem juntas.
Concentração alta tem duas causas opostas
O índice de concentração por cargo responde "a perda está espalhada ou concentrada em poucos cargos?". Ele tem uma armadilha, e ela aparece justamente nos recortes pequenos.
O índice tem um piso que depende de quantos cargos existem no recorte. Três desligamentos em três cargos diferentes já dão um índice que a escala usual chama de "alto", e essa é a distribuição mais espalhada que três cargos permitem.
Medido no varejo em junho de 2026: dos recortes de estado e atividade cujo índice bruto é alto, 69% não são concentrados de verdade. São recortes pequenos, com mediana de sete desligamentos, e o índice está medindo o tamanho do recorte.
Por isso o portal nunca mostra o índice sozinho. Ao lado dele vão dois números que resolvem a ambiguidade:
| Equivalente de cargos | quantos cargos de tamanho igual dariam a mesma concentração. No varejo nacional: 13,7, apesar de existirem 1.327 cargos |
| Índice normalizado | onde o valor está entre o piso e o teto. Zero significa "tão espalhado quanto os cargos existentes permitem" |
6.4 A taxa de desocupação é estimativa, e os outros números não são
Preenchido por: F1.29.
O portal mostra a taxa de desocupação do estado ao lado dos números de rotatividade. Eles parecem do mesmo tipo e não são, e a diferença muda como cada um deve ser lido.
| De onde vem | O que é | |
|---|---|---|
| Rotatividade, admissões, desligamentos, salário | CAGED e RAIS | Contagem. Toda movimentação formal do país está no registro |
| Taxa de desocupação | PNAD Contínua | Estimativa. É uma pesquisa por amostra, e tem margem de erro |
O tamanho da margem, com número
O IBGE publica, junto com cada taxa, o quanto ela pode variar. No 2º trimestre de 2026, em Mato Grosso do Sul:
| Taxa estimada | 2,7% |
| Intervalo de 95% de confiança | de 2,08% a 3,32% |
| Largura do intervalo | 1,24 ponto, ou 46% do próprio número |
Uma taxa assim não deve ser comparada com décimos de outra taxa, nem lida como se fosse exata. O portal sempre mostra a margem junto, e nunca coloca essa taxa no mesmo gráfico que um número de contagem.
Trimestre contra mês
A movimentação é mensal e esta taxa é trimestral. Um trimestre cobre três meses, e o trimestre mais recente publicado pode ser anterior ao mês que a tela está mostrando, porque a PNAD sai cerca de 45 dias depois do fim do trimestre.
Quando isso acontece, o portal mostra os dois períodos, e não só o da movimentação. Contexto mais velho que o dado principal é informação útil; contexto mais velho sem aviso é engano.
Esta série é recalculada de propósito
O IPCA muda quando o IBGE erra, o que é raro. A PNAD Contínua muda quando o método manda, o que não é raro: a reponderação de 2025 recalculou a série histórica inteira usando as projeções de população baseadas no Censo de 2022.
Isso significa que uma taxa publicada aqui pode mudar depois, sem que ninguém tenha errado. Quando acontecer, o número afetado passa a exibir marca de revisão, como qualquer outro dado revisado pela fonte.
6.5 Qual é o total do setor, e por que existem dois números
Este é o tipo de detalhe que parece burocracia até alguém citar o número errado publicamente. O portal tem um total do setor, e ele é este:
| competência 202606 | |
|---|---|
| Total do varejo publicado pelo portal | 717.976 movimentações |
| Total do arquivo de origem, antes da limpeza | 718.360 movimentações |
| diferença | 384 (0,05%) |
Sempre que este portal disser "o total do setor", ele está dizendo 717.976.
O que são as 384 movimentações da diferença
São linhas do arquivo do CAGED que foram recusadas na entrada, por dois motivos:
- município sem correspondência: o código do município na linha não existe na tabela oficial do IBGE;
- ocupação fora do dicionário: o código da ocupação não existe no dicionário oficial da CBO, nem entre os desativados que a fonte ainda aceita.
Uma linha assim não pode ser somada a lugar nenhum sem inventar o lugar. Ela não é descartada em silêncio: fica registrada, com o motivo, e a auditoria de fechamento confere a cada execução que o que entrou é igual ao que foi aceito mais o que foi recusado.
Por que 717.976 e não 718.360
Porque 717.976 é o único que fecha com o que está na tela. Se alguém somar todos os municípios, ou todos os segmentos, ou todos os cargos que o portal mostra, chega a 717.976. O número do arquivo bruto não fecha com nada que o portal publica, porque inclui linhas que o portal não conseguiu classificar.
Um número publicado precisa ser reproduzível por quem lê. Essa é a razão, e ela vale mais que a diferença de 0,05%.
7. Limitações declaradas
Preenchido por: F2.24. Esta é a seção mais importante do documento.
O que o dado público não entrega, e que precisa estar escrito sem rodeio:
| Limitação | Situação |
|---|---|
| Motivo comportamental da saída | Não existe em base pública. O portal exibe apenas a classificação administrativa da movimentação |
| Tempo de vínculo | Não existe no Novo CAGED. Vem da RAIS, com periodicidade anual e defasagem própria |
| Data do desligamento na RAIS | A RAIS publica o mês, nunca o dia. O desligamento precoce só existe com precisão mensal e sempre de um ano-base fechado |
| Identificação de estabelecimento | Os microdados são não identificados. A contagem de estabelecimentos vem da RAIS |
| Tipo de admissão | Existe no layout, mas 99,93% dos registros vêm como "tipo ignorado". Inútil na prática |
| Transferências | Os códigos existem na fórmula do indicador descontado, mas não aparecem no varejo. A exclusão hoje não remove nada |
| Porte | Mede o estabelecimento, ou seja, a loja, nunca a rede |
| Dado por loja ou filial | A granularidade pública para no município |
| Saída para a informalidade | Não capturável por nenhuma base disponível |
| Estoque | É estimativa reconstruída, não medição direta |
| Taxa de desocupação | Vem de pesquisa por amostra, com margem de erro que pode passar de 40% do valor em estados pequenos, e é trimestral |
A promessa de motivo comportamental é identificada no PRD como o erro mais provável do produto. Esta seção existe para que ninguém a cometa por omissão.
8. Histórico de versões
Preenchido por: F1.1 e F2.24.
Cada número exibido no portal carrega a versão de metodologia usada no cálculo, o que permite explicar por que um número mudou.
Isso é literal: a versão é uma coluna de cada linha das tabelas de leitura, e não uma nota no rodapé da página. Quando a régua mudar, as linhas antigas continuam dizendo com qual régua foram calculadas, e a pergunta "por que este número mudou" tem resposta.
| Versão | Data | Mudança |
|---|---|---|
| 1.0 | a definir | Versão inicial |
9. Revisões retroativas
Preenchido por: F1.21 e F1.37.
A fonte revisa competências passadas de forma rotineira, não excepcional. Quando um número publicado muda, o recorte afetado exibe nota de revisão.
O que muda quando uma competência é republicada
Todo mês novo traz declarações atrasadas de meses antigos, e isso reescreve números já publicados. Antes de qualquer republicação, o portal compara o que vai entrar com o que está no ar e produz uma lista do que mudou.
Uma mudança entra nessa lista quando é grande de duas maneiras ao mesmo tempo: em tamanho absoluto e em proporção. Só assim porque cada critério sozinho engana. Uma cidade que sai de duas para três demissões variou 50% e não virou notícia. Um saldo que sai de mil para mil e dez mudou dez pessoas e não muda conclusão nenhuma.
As mudanças pequenas não somem do relatório: elas viram contagem. Dizer "houve quatro mil mudanças pequenas" é diferente de não dizer nada.
Célula que aparece ou desaparece entra sempre, sem passar por critério nenhum. Um recorte que estava na tela e saiu, ou o contrário, é informação por si só.
Medido em junho de 2026: mover uma pessoa em quatro mil recortes publicados não gera nenhuma linha no relatório. Mover 20% gera 561.
9.1 O salário real também pode mudar, por um motivo diferente
Preenchido por: F1.26.
Quando o portal mostra um salário "a preços de junho de 2026", ele fez uma conta entre três coisas: o salário nominal declarado, o IPCA do mês em que ele foi declarado e o IPCA da data-base escolhida.
O IPCA não é revisado por rotina, diferente do CAGED. Cada mês sai fechado, sem versão preliminar. Mas o IBGE corrige erro depois de divulgar, e mantém uma seção pública chamada "Erramos" onde registra quando isso acontece. Há uma correção documentada em junho de 2026.
Se um dos dois índices mudar, todo salário real publicado com ele mudou junto.
Duas coisas protegem o leitor disso:
- O portal nunca guarda salário deflacionado. Ele guarda o valor nominal, que é o que a fonte declarou, e faz a conta na hora. Trocar a data-base é trocar um parâmetro, não reescrever o histórico
- Todo salário real exibido carrega a data-base declarada, e o índice usado é consultável. Qualquer pessoa pode refazer a conta
Um salário real sem data-base declarada não tem interpretação possível. Por isso os dois nunca aparecem separados no portal.